o Sin gula r

domingo, 15 de abril de 2012

A rotina




A rotina. Um dia ela te pega e te cobra, com muita paciência, todos os anos de companhia da qual lhe serviu religiosamente. A partir daqui, mais nenhum deslise será perdoado, nenhuma fuga será licitamente possível, nem tão pouco haverá mais imprevisibilidade nos seus dias. Será daqui em diante qual uma mãe má, prendendo, digerindo sua cria dentro de suas paredes.

Respiro. O mesmo ar de ontem, antes de ontem, e de todos os outros dias antes deste. Sempre estive preso, portanto toda revolta é agora coisa besta e vã!


Respiro. Bebo um copo d'água. A água veio do mesmo rio de ontem.

Respiro.

Respiro.

Re-PIRO.


H.P.'.

sábado, 31 de dezembro de 2011

- EX NOVO -



Fim de férias. Ando tão metido no ócio que recentemente descobri que me aprimorei nas minhas capacidades de fazer nada. Não escrevo. Não estudo. Quase não leio. Tornei-me mister em ficar em casa coçando os dedos nos botões do controle da TV.

Ah sim! Tenho reclamado bastante da vida, menos do que antes, mas ainda em boa quantidade. Sei lá, sinto que reclamando me sinto vivo. O incômodo alheio às minhas queixas me dá a impressão de que minha opinião é bastante válida.

Ai ai.. - Oh vida besta! - Ontem tentei quebrar a passageira rotina que criei e me vi perdido numa multidão barulhenta. Antes de sair de casa (SIM saí.), dei uma olhada nas sinopses do cinemark e me mandei pro Shopping. O ônibus foi até rápido. Subi também rápido a escada rolante - Aquela coisa deveria ser mais rápida (!) - Paguei meu ingresso, falando nisso, desbanquei uma fortuna pelo ingresso, R$23,00! Me senti violentado.

Quanto ao filme, este sim foi um porre. Mas devo assumir que aquela bosta foi só uma desculpa pra sair de casa. A quebra da rotina trabalho/academia/casa me fez perceber o quão nocivo o labor pode ser. Muito trabalho - Passo a maior parte útil dos meus dias lidando com pessoas que não conheço - Quando chego em casa, estou só o pó, quero fazer nada além de dormir.

Estou com pânico a gente. Gente que abre embalagens plásticas, mastigam e falam com suas bocas plásticas e permanecem plastificados em suas poltronas até o final da sessão. Tarde demais, Inês já era morta, saí de casa e além do mais o filme já havia começado.

Mas acabou, pelo menos o ano acabou. Lá pro dia 5 de Janeiro, vou ter definitivamente vestido minha cara de bon vivant e aceitado a proposta de mais um 'enfado-bom', enfado que mais uma vez  vai pagar minhas contas no decorrer do próximo ano.

Seria bom que as coisas tendessem a dar mais certo do que errado. Que o ar fosse menos cáustico e o pãozinho da padaria menos caro :) Seria bacana também se eu juntasse alguma grana pra ir a algum lugar legal, fazer alguma coisa diferente e, por isto, também legal. Mas seja como tenha sido, vivi mais 12 meses que se acrescentaram aos outros 22 anos que já tinha. Mas a gente sabe que independente das palmas, quem primeiro agradece é quem está do lado de cá, mais perto da cortina, e além do mais, como nuca estive só um só dia na vida, OBRIGADO àqueles que dividiram palco comigo e também aos que se dispuseram à platéia.

  
EX NOVO Feliz ano novo.

Hugo Pereira .'.



''And everybody knows where this is heading
Forgive me for forgetting
Our hearts irrevocably combined
Star-crossed souls slow dancing
Retreating and advancing
Across the sky until the end of time.''
(DeVotchka)


domingo, 21 de agosto de 2011

Baratas no meu chão, baratas no meu espelho



Algumas ciganas já me disseram que as linhas das mãos mudam da noite pro dia. Não precisei consultar nenhum dermatologista para saber que nossas células epiteliais morrem e são substituídas todos os dias, praticamente trocamos de pele feito serpentes num curto período de tempo. Dúvida mais cruel não existe do que se por à frente de uma lista de sorvetes com nomes estranhos e ter de escolher apenas um, contudo possivelmente mais saborosos do que o Napolitano nosso de cada dia; apesar de todo o ritual, o último a ser visto será sempre o que vai mudar a nossa escolha. Nunca havia gostado de sorvete de saputi, até então nunca o tinha provado - A mudança, seja visível ou não, é o biografema humano.

Seria bem possível que se topássemos com uma cópia de nós mesmos uns três meses desatualizada, não pudéssemos reconhecermo-nos: somos metamorfos.

H.P.'.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Solidariedade



Num espasmo solidário, desejo solidamente, além de toda solitude, que tenhas hoje a solidez abaixo dos pés e sólidas idéias a frente das mãos, sem contudo, vir a ser um dia soluto apenas.

Sólidos desejos meus: que não seja só lido, mas sempre sólido.


H.P.'.

domingo, 5 de junho de 2011


A faminta engrenagem do tempo que a tudo devora e recicla hoje fez partir mais um dos meus.

Vai em paz, Saulo.

H.P.'.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Intima parte

A minha realidade sou eu quem moldo e pinto. Se me desgosto, ponho ao lixo ou recrio desde o pó. Se está bom o bastante para ser visto ou se é protótipo inútil, sou eu quem defino, EU me defino, me moldo, me aprimoro e me desmorono em carne e dentes num chão húmido que não é outra coisa se não eu mesmo estendido aparando cada pedaço meu que  cai, germina e vigora. Faço-me plural sem esforços, e assim sou o mesmo que está dentro e fora ao mesmo tempo: sou a relva e o estrume, a briza e o pulmão. Sou ainda a água que bebo e a veia que se junta às outras veias. Mas sou nada e ninguém também, o anônimo e a coisa nenhuma, o papel escrito, lido e amassado.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Today

The rain is gone, it's still cold here but the Sun is already shining. My windowns are open,so there, outside, I can see people walking and talking. There's a perfect day in my hands, or maybe, in the worst possibilitty it's just an ordinary day. Everthing goes fine and easy. We know what to do, and we do it fine. There's nothing to be afraided of, it's just life.




H.P.'.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Resumo pessoal de um Espartano




Aos que não que não conhecem a tradição espartana, ou aos que não se cansam de me perguntar mais sobre. Uma correspondência entre espartanos:


Saudações irmãos,

Venho por este apresentar-lhes meus pontos de vista sobre o que foi sugerido comentar. Pois bem, quanto aos aspectos mais importantes na forma de vida de um Espartano, um resumo pessoal:
Acima de tudo, e para melhor formação de uma base sólida na vida de um homem, acredito que o ponto vital desta idéia é reconhecer-se como tal, um HOMEM, um humano dotado de todas as capacidades comuns aos outros humanos... Contudo, nós Espartanos sabemos disto.
Nada de sentir pena de si mesmo, ou de outros! A compaixão cristã (que me perdoem os cristãos, mas me refiro à religião apenas) hoje se tornou uma desculpa para ser fraco ou afetado.
Um outro ponto importante ao qual muito dou crédito é a discrição, bom senso na vida de um Homem é indispensável, portanto, se somos todos “espartanos de fato”, acredito que não preciso explicar do que se trata.
Dentre outros fatores: vê-se como igual dentre seus iguais (Espartanos); ser justo com TODOS, sem exceções, mas... É necessário estar ciente de que nem todos conhecem A Justiça, portanto, aos que a conhecem que esteja o encargo de apresentá-la aos cegos; reconhecer a si como Livre, e caso não seja, lutar até a ultima queda, até que esteja pendurado pelas veias de suas veias.
Sabe, gostei desta ultima linha... Talvez por ser M.’.M.’., e por saber o quanto homens justos já lutaram por suas vidas, pelas suas idéias e crenças... Diante de paredes intransponíveis e inclusive contra idéias e crenças de outros homens. Aprendi algo, e penso que isto possa ser proposto à vida de todos os Homens, sobretudo à nós Espartanos:

– Reconhecer a si mesmo como Livre,
 e caso não seja, lutar até a ultima queda,
 até que esteja pendurado pelas veias de suas veias. –
(H.P.’.)


Bem, é isto. Força e Justiça à todos os irmãos.
Abraços Fraternais Espartanos,
H.P.’.


H.P.’.

domingo, 4 de julho de 2010

Sobre dependência, Joy Division, ressaca e nostalgia



Faz uns dois dias que não sentava à frente do PC. Ontem mais cedo discutia com meus alunos sobre a nossa (minha) possível dependência tecnológica. Por quantos dias conseguiria passar sem celular, e-mails, páginas favoritadas... Coisas do tipo. A especulação me deixou agoniado ainda em sala e me levou à dicotomia - Necessidades  x Inutilidades - Passou. Hoje passei alguns recados, esvaziei a caixa de entrada, dentre outras coisas, ouvi música.

Uma moça me comentou algo sobre o filme "Control", falou da sua experiência. Gosto de quando os meus chegados falam sobre este filme, lembro de quando o assisti.

Um moço me falou de "Heart and soul" e "Decades". Senti saudades dele.

A atmosfera do disco de 80, Closer, é muito singular. A impressão que tenho quando ouço o disco é de que o Ian tinha acabado de pagar as suas dívidas para com a vida e o que tivesse restado fosse apenas um desprezo preguiçoso sobre todo o resto. Sei lá, vez por outra ele me lembra Piaf. Devo estar falando besteira, conheço muito pouco sobre ambos.

Um pouco nostalgico hoje, depois de algum tempo reencontrei um velho amigo hoje. Conversamos sob o Sol das Atalaias. Dormi até as h19, acordei com a pele doendo um pouco.. Alguma ressaca também. Lembrei da UFS, do fim do período, das matérias que abandonei e do que sobrou e que falta ser terminado: merda. Estou desmotivado.

Ainda pensando nisto, ouvi 'The Eternal'. Que será que ele quis dizer? Tem coisas que correm da razão, e só um momento oportuno explica, mas depois que passa a gente esquece. Este trecho é particularmente lindo:

"Stood by the gate at the foot of the garden
Watching them pass like clouds in the sky
Try to cry out in the heat of the moment
Possessed by a fury that burns from inside..."


H.P.'.

domingo, 4 de abril de 2010

Luzes


Eu vi as luzes no meu céu
Eu vi as luzes da cidade
Eu vi as luzes à minha frente
Eu vi as luzes do meu quarto

Haviam luzes

Haviam luzes no meu breu.


H.P.'.